Mas onde estavam todos esses cachos, crespos e encaracolados?

 

De um tempo para cá tenho visto muitos cabelos cacheado, ondulados, volumosos, coloridos, rodas gigantes, nas ruas, nas redes sociais, no espelho, mas recentemente fiz uma enquete no grupo do facebook do blog Depois dos Quinze e vi algo que tenho visto muito como: ”Acho lindo, mas não teria coragem” “Acho lindo, mas não combina comigo” – OI?!

Nesse ultimo ano, vi mais cacheadas do que vi nos outros 25 anos inteiros da minha vida. Olho, admiro e, quando posso, dou um sorriso tímido e acolhedor de “somos irmãs de cabelo, sua linda”.

Mas onde estavam todos esses cachos, crespos e encaracolados?

Vou partir de mim como ponto de referência para essa história, que acredito, muitas irão se identificar. Há um ano e nove meses eu estava iniciando meu processo de transição capilar, ou seja, na adolescência eu passei acreditando, piamente, que meu cabelo natural era liso, afinal, era só fazer uma “escova progressiva” e voilà, cabelos lisos, sedosos e naturais; mas não.

O que eu fui enxergar há pouco tempo atrás é que não havia nada de natural em passar horas intermináveis no salão, passando química no meu cabelo; não havia nada de natural em usar uma máscara porque o cheiro do “produto” irritava os olhos, o nariz e a garganta. Olha que incrível: não tinha nada de natural em queimar meu cabelo toda semana com uma prancha.

Mas o que ninguém me disse, há vinte e poucos anos atrás, é que esse era o meu cabelo: com cachos, crespos, frizz e volume. E que “Viu, tudo bem, você é linda assim?”. Ou melhor existia uma pessoa que não cansava de dizer isso para mim, mainha, mas filha adolescente querendo se “enturmar” , “ser aceita”, escutava todos menos ela.

E por que não disseram? – Porque não era, porque não é.

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Eu com 1 ano e 2 meses de Transição e 3 meses de Big Chop

A falta de notabilidade da mulher negra e afro descendente, ou a ausência destas figuras de beleza, foi o que fez uma geração inteira de meninas, acreditar que cabelo liso a base de química era natural. E agora, depois que passamos por um desenvolvimento danado de sofrido, de auto descoberta, aceitação e identidade cultural, querem nos dizer que é modismo. Todos esses anos de beleza vendido, era porque não estávamos na moda e, bom, agora nós estamos.

Acontece que nosso cabelo está profundamente relacionado com a nossa história, nossa auto estima que, por anos, foi dominada, submetida., invisível. Nosso cabelo natural, volumoso e recém descoberto, em nada tem a ver com uma tendência de moda, estamos mostrando nossa etnia, nossas raízes, que eles são volumosos, altos, bagunçados, lindos e de todas as cores e tamanhos; que são lindos e sempre foram – estando ou não, nas capas de revista.

Instagram: Thaubarbosaa

1 ano e 9 meses depois de ter decido assumir meu cabelo natural e 8 meses após o Big Chop

Invadindo os espaços com nossos cabelos volumoso e retomando o que, em momento algum deveriam (e deve), nos ser tomado: nossa auto estima.

Estamos contando nossa história e mostrando que nossa beleza não é passageira, e que, na próxima estação, nossos cabelos não serão alisados nem diminuídos bem como tudo o que vier de nossas raízes.

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9 comentários sobre “Mas onde estavam todos esses cachos, crespos e encaracolados?

  1. Millene Raquel disse:

    Adorei o relato! E o gatilho para a discussão. Concordo muito com isso. Tudo por se encaixar e seguir o que a sociedade impõe. Hoje as coisas estão mudando (graças a Deus) e o encorajamento das meninas a aceitar seus cabelos tem sido cada vez maior. Você pode inspirar muitas! Cada vez mais vejo matérias sobre transição capilar, deu até no Encontro esses dias. Assisti e achei lindo!
    Linda! Muito linda! Parabéns.
    Beijão
    Through My Eyes

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  2. Kelly Mathies disse:

    Você tem um cabelão lindo, mulher ♥ Eu tenho minhas ondinhas não-definidas rs, mas vivo arrumando pra tentar definir aos pouquinhos e ficar como realmente é, sem precisar escovar o tempo inteiro ou usar chapinha e o caramba a quatro iauheiauhe. A falta de representação realmente afetou a sociedade por anos, então é maravilhoso ver que as pessoas estão começando a se aceitarem aos poucos.

    Curtido por 1 pessoa

  3. Ane Carol disse:

    A primeira vez que fiz progressiva tinha 20 anos, e no me caso não foi por questão de estética. Fiquei dois anos assim, depois um ano de transição, mas voltei a alisar e fiquei mais dois anos. Agora resolvi passar novamente pela transição e meu cabelo está 99% sem química. Eu amo meu cachos e sou feliz com eles e adoro a liberdade que eles me dão de poder mudar de cor, entrar na água sem medo e afins. Mas penso em voltar a alisar em um futuro, porque acho que tudo é uma fase, gostar de um não excluí poder gostar do outro. Acho lindo ver as meninas se aceitando e aprendendo a se amar com o cabelo que Deus deu a elas, só não vale sair de uma ditadura para entrar em outra.

    obs: São cachos são lindos! Parabéns por se manter firme e forte na transição.

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